sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Miserável anônimo



Caminha tão rápido
Quanto a perna sã lhe permite
Em seu rosto flácido
A feição de um sorriso inexiste

Aonde vai o Sr. Sem Nome,
pelas ruas da cidade insône?

Suas vestes são velhas
Como articulações definhadas
Que por muitas guerras
Em sua vida foram judiadas

Aonde vai o Sr. Sem Nome,
o corpo descarnado pela fome?

Muitos anos carrega
Sobre os ombros arqueados
Muita tristeza expressa
No seu semblante tombado

Aonde vai o Sr. Sem Nome,
zumbi que à noite não dorme?

E eu a vislumbrá-lo
Sob este abrigo urbano, protegido
Ele a andar trôpego, calado
Na periferia do mundo, esquecido

Aonde vai o Sr. Sem Nome,
que na viela escura agora some?

Assim como surgiu, desapareceu
Um pálido espectro de homem
Só a pergunta permaneceu
Aonde ia o Senhor Sem Nome?


Autor: Sauro de A. Queiroz

2 comentários:

  1. Nunca saberei,
    Não porque minha curiosidade fosse pouca
    Ou porque minhas pernas fossem trôpegas,
    Mas porque meu sossego foi latente
    Minha vida um entorpecente
    Ante aquele que nem sei quem
    E alias porque me preocupo,
    Nem nome ele tem!!!

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