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domingo, 31 de outubro de 2010

O Crentês


    Não, não é uma crítica ao evangelismo. Não sigo essa vertente. Mais creio que o evangelismo se faz com a vida também. Aceitação intelectual da verdade do evangelho, destituido de frutos, é apenas repetição de jargões.

    Nossas igrejas estão lotadas de pessoas que dominam o crentês, a lingua oficial do Reino Terreno da Religiosidade! O Reino Terreno da Religiosidade é uma cópia mal feita do Reino de Deus. A diferença entre ambos é que o R.T.R. procura estabelecer um domínio imperial sobre a Terra por meios diferentes em relação ao R.D, e que sua maior ambição é justamente permanecer o máximo possível na Terra, porque não dá pra gozar de seus benefícios após a morte.

    O R.T.R, como mencionado, tem uma lingua oficial, o crentês, que possui alguns dialetos como o profetês (uma versão de profecia), o doutrinês (uma versão de doutrina), dentre outros. No geral, são motes falados para substituir expressões em uso, por exemplo:

    - "Bom dia" vira "Graça e paz";
    - "Caramba!" se transforma em "Ohhhh, Glória!"
    - "Amigo" vira "Irmão".

    O mais importante do crentês é que, necessariamente, você não precisa fazer o que disse. No exemplo da tirinha, um crente poderia dizer "Jesus te ama" ao mesmo tempo que segura o pescoço da vítima firmemente com as duas mãos e a sufoca. Nem um serial-killer seria tão contraditório. Logo:

    1- Você pode dizer que ama, mas odiar.
    2- Você pode dizer que é honesto, e roubar.
    3- Você pode dizer que é fiel, e adulterar.
    4- Você pode dizer "sou virgem", e se prostituir.
    5- Você pode dizer "você é meu irmão", e logo depois "você é um  &#%*¨@!"

    Tudo é mais fácil no R.T.R!

    Mas daí, pode surgir a pergunta: - Como faço eu, pobre iniciado, que não sei os maneirismos nem os atalhos para fazer todas essas coisas e ao mesmo tempo calar a tagarela da minha consciência que não para de protestar contra mim?

   Oras, aí vem a maior invenção de todas, uma versão pirateada a baixo custo do original celestial chamado "Graça". A Graça do mercado negro basicamente permite que, após qualquer ato que contradiga aquilo que dizemos na lingua do crentês, podemos ter a tranquilidade de saber que "nossas vidas podem ser exatamente as mesmas que eram antes sem absolutamente nenhuma mudança até o dia de nossas mortes porque a graça permite que nos aceitemos como somos".

    A pergunta que eu faria, no entanto, é que, se é possível não mudar em nada, por que não adotar essa não-mudança na linguagem do R.T.R? Uma reforma da lingua, sim! Assim evitaria confusões! Poderiam dizer:

   1- Meu irmão bastardo! Sabia que te odeio tanto em nome de Deus?
   2- Olá, minha chata esposa! Onde estive? Na cama com uma colega de trabalho, graças a Deus, porque precisava de uma animação na minha rotina!
   3- Pessoal, adivinhem! Subornei um guarda hoje e economizei com a multa que levaria, livramento divino!
   4- Hahahaha, você acreditou naquilo que eu disse? Eu menti o tempo todo!! O Senhor me deu essa esperteza, e em compensação te fez muito burro!

   ...ehhhh...acho que eu prefiro o Reino de Deus...

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

III Congresso de Lausanne - Cidade do Cabo

   

25 das etnias do mundo não estão representados na Conferência Lausanne III 250x170 Documento é firmado no final do III Congresso de Lausanne


    O resultado concreto do III Congresso de Lausanne é o “Compromisso da Cidade do Cabo”. O documento é uma declaração final do Movimento Lausanne a partir do congresso. Ele divide-se em duas partes. A primeira é uma declaração de fé, e a segunda um chamado para a ação.
Intitulado “para o Senhor que amamos: o nosso compromisso de fé”, a primeira parte do documento – com versão ainda provisória – enfatiza o verbo amar e é dividida em uma introdução e dez seções. Todos os participantes do evento receberam cópias do texto em sua própria língua. O trecho a seguir revela o tom do documento:

    “Esta declaração foi firmada na linguagem do amor. O amor é a linguagem da aliança. As alianças bíblicas, antigas e novas, são expressão do amor redentor de Deus e da graça que alcança a humanidade perdida e a criação deteriorada. Em troca, elas pedem o nosso amor. O nosso amor se manifesta através da confiança, obediência e do compromisso apaixonado com a aliança do Senhor. O Pacto de Lausanne definiu a evangelização desta forma ‘toda a igreja levando todo o Evangelho para todo o mundo’. Esta continua sendo nossa paixão.”

    A segunda parte ainda não foi elaborada. Para isso, há um grupo de trabalho de oito pessoas (entre elas, dois brasileiros: Valdir Steuernagel e Rosalee Veloso). Eles vão trabalhar na redação do documento, que deve ter sua primeira versão em novembro deste ano.


Fonte: Editora Ultimato / Gospel Prime
Via: Portas Abertas
 

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Reflexões da meia-noite



 
Hebreus 10.23 - "Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de reunir-nos como igreja, segundo o costume de alguns, mas procuremos encorajar-nos uns aos outros, ainda mais quando vocês vêem que se aproxima o dia".
   

    Cinco minutos para meia-noite. Chove em Campinas. O sono é um visitante atrasado. Talvez também para muitos outros espalhados pelo perímetro da cidade onde moro atualmente. Atrasou-se o sono; para um homem bêbado na calçada perto do Castelo, ou para o menino de rua no Centro, ou para o empresário na cobertura de um prédio no Cambuí, para a garota com o namorado no banco traseiro de um carro, duas quadras do condomínio onde mora (a mãe talvez esperando-a na sala de estar)...

     E ví o vídeo acima. E me fez pensar. E postei neste blog.

    Nossa imagem pública está ruim. Mas não é novidade. No primeiro século os cristãos também eram mau afamados, os pagãos chamavam nossos antepassados na fé de canibais por "comerem" o corpo de Cristo, de incestuosos por chamarem-se mutuamente de "irmãos" e se darem em casamento mesmo assim. Fruto de muita ignorância. Cegueira. Quando não se quer ver, basta furar os próprios olhos com as mãos.

    A eliminação da Igreja não é a resposta, houveram escândalos antes, há escândalos agora, o mal percorre corredores de igrejas no coração de homens e mulheres, mas também habita nas ruas e calçadas, e nos lares, e no coração dos que "andam fora", mesmo porque ajuntamentos de cristãos sempre haverão, assim como de não-cristãos, afinal, somos seres sociais.

    Um outro lembrete, é que o paraíso não é agora. Tentar construí-lo aqui e imediatamente é simplesmente fazer a mesma coisa de quando não conhecíamos Cristo: tentar produzir felicidade caseira, feita pelas nossas mãos. Talvez seja um complemento dos nossos erros, tentar convencer o mundo de nossa perfeição, adiantar a plenitude que ainda não veio. Mas também não explica nenhuma espécie de extinção de grupos, porque se vivermos como Cristo deseja em sua palavra, ele vai dizer... vivam juntos, como aponta em Hebreus 10.25-26! E onde vivermos juntos, viverão outros também; bicões de festa, arruaceiros em meio a torcida, lobos no meio de ovelhas.

    Por outro lado... quanto fermento! Por várias vezes essa adição de ingrediente no pão é indicado na Bíblia como inchaço vazio, e não preenchimento de Deus. E talvez quem enxergue melhor isso não sejamos nem mesmo nós, mas os homens e mulheres do vídeo, mesmo que sob o delírio de um "olhar viciado", pendendo sempre para o que temos de pior.

    Algo a se pensar, eles apontam para uma mancha no paletó, quem terá  a coragem de conferir?

    Apenas reflexões de uma meia-noite insône.

   
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