Assistindo a esse vídeo, não discordo de seu objetivo: impactar pessoas, perturbar corações congelados. Posso até tocar no assunto da pobreza em si noutro momento. A questão que coloco como adição a ele é: O coração é gelado porque a realidade do mal existe.
Óbvio? Nem tanto. Normalmente não há manifestações em relação ao mal da humanidade, porque simplesmente não sabemos como combatê-lo. Sabemos enumerar as causas e preparar medidas para combater seus efeitos, mas o mal propriamente, não temos respostas para findá-lo.
Portanto há muitas formas de abordá-lo:
1- Não como causa, mas unicamente como consequencia de políticas públicas deficientes. O que milhares de anos com toda a sorte de governos e governantes já provaram, seja na bonança ou na miséria, sempre há espaço para o malévolo.
2- Como fruto do mal de alguns (normalmente quem governa)... o que tornaria o restante do planeta em bons e inculpáveis (você é capaz de dizer isso de si mesmo?).
3- Como parte fundamental do ser humano, de um equilibrio com o bem. Isso, obviamente, quando a maioria de nós não está face a face com a guerra, fome, violência etc. Além do mais, encará-la dessa forma é ver as coisas de um prisma que impossibilita a vida em sociedade. Sempre haverá alguém que não acha o mal tão aceitavel assim para tentar botar ordem nas coisas. Sempre há alguém que se acha perfeitamente livre pra fazer o que "der na telha".
Nas escolas me ensinaram que somos descendentes diretos do macaco. Isto é algo do qual discordo. Mas a noção de que estamos em evolução, por causa do progresso científico, não é bem acompanhada pelo "progresso moral". Todos, mais ou menos, aceitam que é necessário um mínimo de limite moral, para o bem da sociedade, ou ela se autodestruiria, mas ao mesmo tempo, todos, em absoluto, acham desconfortáveis os limites, em alguma medida, pois eles impedem a satisfação de todos os nossos desejos, tão frequentemente associados ao animalesco, e acrescentando um adjetivo, não raras vezes, maus.
Se fossemos bons, surgiriam coisas boas de nós, tão naturalmente como frutos em uma árvore. Mas se naturalmente, sem o mínimo de esforço, nossas mentes e corações produzem mal, e precisamos de limites, e os limites são indesejáveis, justamente por frustrarem o prazer que o mal dá... afinal, que situação!!!!!
Tocando na realidade do mal, e na realidade do progresso científico. A palavra sofisticação cabe bem aqui. Somos sofisticadamente mais maus ao longo dos séculos, não em intensidade de matéria prima, mas no leque de coisas que podemos fazer com ela. Se usassemos os preceitos evolucionistas em relação ao mau, poderiamos afirmar metaforicamente: ao menos deixamos de brigar só por bananas com apenas porretes e pedras! Hoje brigamos pelo lucro da distribuição mundial de processados de banana com pistolas e mísseis!

Nenhum comentário:
Postar um comentário